quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Mitologia Egípcia

Embora existam inúmeras divindades na mitologia egípcia, um número cada vez maior de estudiosos dos antigos mitos está entrando em acordo ao dizer que a religião dos antigos egípcios era, na verdade, uma espécie de monoteísmo. A crença difundida de que as antigas histórias e as imagens representadas nos templos representavam diferentes entidades supremas (deuses e deusas) nada mais é do que uma confusão causada pela tradução da palavra "neter" que os antigos usavam para se referir às forças cósmicas. Cada um  dos "deuses" venerados nas escrituras e na vida cotidiana egípcias eram originalmente chamados de neteru (plural de neter). No nosso conceito ocidental falta uma palavra  que se encaixe melhor nesse conceito de "neter" então usamos a palavra "deus", embora ela cause certo incomodo por se confundir com o conceito ocidental de Deus.

Cada neter, ou deus egípcio, representa uma função, uma característica, um princípio específico da Força Suprema à qual os egípcios não deram nenhum nome. Esta Força, essa Inteligência, esse Princípio Cósmico que a tudo criou e a tudo permeia é o que realmente se aproxima do conceito de Deus ao qual estamos familiarizados no ocidente. (A palavra neter também é, segundo alguns filólogos a origem da palavra "natureza").

É importante salientar aqui que, embora os egípcios representassem os neteru utilizando formas antropomórficas e de animais, filosofia egípcia não se baseava na crença de que tais criaturas realmente existissem na forma como eram representadas. Essas ilustrações não passam de símbolos escolhidos com cuidado para falar sobre os fundamentos dos princípios específicos aos quais se referem. Por exemplo: , por representar a origem Consciência Suprema, era mostrado carregando o sol na cabeça, pois, se a Luz é o símbolo da consciência, então não há melhor símbolo para a origem da consciência suprema do que o Sol, a maior fonte de luz que temos. A cabeça de falcão era usada pois esta criatura possui outro elemento do que os egípcios chamariam de "natureza solar": uma criatura que voa a grandes alturas, que enxerga longe, que "tudo vê", etc. Hórus também era representado com cabeça de falcão, mas sem o Disco Solar, pois ele evocava a imagem do senhor dos céus, mas não do sol. O falcão, quando visto voando majestosamente nos céus, senhor de seus domínios, evoca a ideia de que o céu é seu território natural.

O corpo humano nas imagens dos neteru indicava que aquele princípio estava sendo representado como era visto do ponto de vista pessoal, subjetivo e imperfeito inerente à condição humana.

Outro exemplo: quando se fala das Águas Primordiais, do Oceano do Caos que existia no Princípio, não se está falando de um oceano físico que existiu certo dia num determinado lugar. As propriedades de um oceano físico e real são meramente o reflexo das características essenciais do Oceano Ideal no sentido platônico, ou seja, infinito, indivisível, desconhecido e inescrutável. Essa eram as ideias que verdadeiramente estavam sendo expressadas com o uso dos símbolos.

Existem diferentes versões para cada passagem das histórias mitológicas do Egito encontradas em diversas fontes como o Texto das Pirâmides, o Livro dos Mortos, as inscrições nos templos e tumbas,  etc. As versões também variavam com o tempo, afinal de contas, são histórias que foram contadas repetidamente por mais de 5 mil anos.

As diferentes formas como eram contadas as histórias, apesar de serem, por vezes, conflitantes, eram também complementares, e, utilizando-se de um esforço para estabelecer uma ordem cronológica para os eventos, podem ser reunidas na forma de uma síntese que englobe todos os diferentes aspectos das diferentes cosmologias a começar na Origem: Os mitos de criação.

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